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| Intercâmbio mostra alternativas de produção e geração de renda em comunidade quilombola |
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| Escrito por CPT Barra |
| 11 de Dez de 2009 |
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O projeto, que tem o apoio do SEBRAE, é desenvolvido pelas mulheres da comunidade, desde o plantio à transformação da mandioca em bolos, pães, biscoitos, caldos, beijus, tapioca e até mesmo suco de aipim misturado a polpas de frutas. Toda produção tem venda garantida pelo Programa de Aquisição de Alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, que compra os produtos e distribui para a merenda escolar e para famílias carentes do município. A organização do trabalho acontece de modo que cada mulher trabalha na associação durante quatro dias por mês. Assim, são formados grupos de trabalho de dez mulheres que trabalham uma vez por semana. Com a ampliação da estrutura de beneficiamento este número será duplicado para atender às 107 mulheres.
Os quilombolas de Barreiros colocam como principal dificuldade a falta de terra para plantar a mandioca e as outras culturas. Provisoriamente estão cultivando uma área que foi arrendada para este fim. Isto ocorre porque, apesar da comunidade já ter recebido a certidão de auto-reconhecimento, emitida pela Fundação Cultural Palmares, o processo de titulação do território ainda não foi iniciado. Com isso, cerca de 500 famílias vivem em situação de vulnerabilidade, pois as terras que compõem este território estão nas mãos de fazendeiros. As mulheres de Barreiros afirmam que se houvesse terra para trabalhar, não faltaria matéria prima para processar.
Estes exemplos, entre outros, demonstram muito mais do que a viabilidade da agricultura camponesa, mas a necessidade de que esta agricultura sobreviva às investidas do capital e da grande mídia. |



A comunidade quilombola Barreiros, localizada no município de Itaguaçu da Bahia (475 km de Salvador), foi palco de um intercâmbio realizado em parceria com a CPT, para divulgação de uma experiência de trabalho coletivo que envolve 107 mulheres no beneficiamento da mandioca. Este encontro, realizado no dia 9 de dezembro, levou 13 camponeses, de 6 comunidades dos municípios de Barra, Buritirama e Muquém do São Francisco, para conhecer a forma de organização do trabalho e alternativas do uso da mandioca, que é um dos principais cultivos da região.
O trabalho elevou o auto-estima das mulheres e promoveu também uma melhoria na qualidade de vida. “Antes a gente trabalhava na colheita da cebola e em outros serviços na região, ganhando diária. Hoje melhorou porque estamos ganhando mais, num trabalho melhor e dentro de nossa comunidade. Já não me preocupo muito com o material escolar dos meus filhos, pois ganho mais”, diz Evanice, uma das mulheres do grupo. “...Só foi ruim para os donos das roças (de cebola), porque agente deixou de trabalhar lá”, disse dona Dilza, exibindo o sorriso no rosto.
As pessoas que foram conhecer a experiência acabaram despertando o interesse das mulheres de Barreiros para conhecer o trabalho realizado em outras comunidades. Foi o caso das representantes da comunidade Primavera, que além da pesca, da agricultura e da apicultura, fazem artesanato com fibra de caroá, palha de banana e têm parte da estrutura necessária para beneficiamento de frutas nativas. Dona Maria Alice e Nadir, da comunidade Brejão apresentaram o cultivo de hortaliças, que são comercializadas na feira de Buritirama. 
